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Arroz doce

12 Mar

História

Desde o século VI a.C. que há registos de arroz cozido em leite com açúcar. A chegada da cana-de-açúcar da Índia ao Médio Oriente, onde já se cultivava o arroz, marca a origem desta especialidade que perdurou até aos nossos dias. É possível imaginar que, muito antes, estes alimentos coexistiam na Índia e que, inclusivamente na Ásia, substituído o leite de origem animal pelo leite de coco, este doce era saboreado desde os tempos mais remotos. Posteriormente, a fama do arroz doce espalhou-se rapidamente por toda a Europa e a cor dourada que o melaço lhe conferia passou ao branco característico, já no século XIII, quando se começou a utilizar açúcar refinado. O século XVIII marca o momento do baptismo desta sobremesa, que revela todo o seu encanto em todos os livros de receitas europeus. Durante os últimos vinte e seis séculos, o arroz cozido em leite com açúcar conservou praticamente intacta a sua essência original. A sobremesa de arroz doce em Portugal reflecte esse desejo de manter vivas as doces tradições ancestrais. Servi-lo em qualquer acontecimento digno de celebração, significa venerar um costume antigo e honrar os dias festivos. As inúmeras referências revelam esta aliança do arroz doce e determinadas datas do calendário. Sirva de exemplo o Natal que, nas aldeias e cidades portuguesas, é muito acarinhado nas suas tradições, convertendo a gastronomia no eixo central sobre o qual gira a celebração. Deste modo, e antes de se ir à popular Missa do Galo, não falta o prato de arroz doce e os doces conventuais que são com frequência servidos após um vistoso bacalhau cozido. Outro momento em que o arroz doce aparece é em muitas bodas portuguesas. Trata-se não só da sobremesa principal da ocasião, como é típico a família dos noivos oferecer arroz doce aos seus convidados uns dias antes da cerimónia. Actualmente, subsiste o mito de que a quantidade de arroz doce com que se recebe os convidados é proporcional ao grau de parentesco. Desde o aroma que lhe é oferecido pela canela, passando pelo toque subtil que a casca de limão lhe dá, e terminando na porosidade que o ovo lhe confere, o arroz doce português admite, na sua preparação, pequenas variantes que permitem personalizá-lo e torná-lo único em cada mesa.

Receita

Ingredientes:

  • 1 casca de limão
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 pau de canela
  • 1 pitada de sal
  • 125 grs de arroz
  • 150 grs de açúcar
  • 3 gemas
  • 7,5 dl de leite
  • canela em pó p/ polvilhar

Preparação:

Leve ao lume um tacho com água abundante e sal. Quando a água ferver, junte o arroz. Quando levantar fervura, deixe cozer o arroz durante 2 minutos. Entretanto leve o leite a ferver com o pau de canela e a casca de limão. Escorra o arroz muito bem e mergulhe-o no leite a ferver. Deixe cozer, destapado, em lume brando. Retire do lume e junte o açúcar, mexendo rapidamente. Junte as gemas e a manteiga. Ponha o arroz sobre lume muito brando durante uns minutos sem deixar ferver. Deite em taças ou em pratinhos e polvilhe com canela em pó.

Sardinhas Doces

12 Mar

História

Desenganem-se os que pensam que as sardinhas doces de Trancoso são peixe frito. Nada disso! Há 300 anos a adoçar a boca aos habitantes de Trancoso, as sardinhas doces mais não são que um doce conventual, nascidas das mãos das religiosas de um antigo convento na avenida principal da vila.

Receita

Ingredientes:

Para a Massa:

  • 475 g de farinha de trigo
  • 60 g de banha
  • sal fino
  • 2 dl de água.

Para o Recheio:

  • 200 g de miolo de amêndoa
  • 350 g de açúcar
  • 12 gemas
  • azeite fino
  • açúcar e canela para polvilhar.

Preparação:

Peneire a farinha e uma pitada de sal fino para dentro de uma tigela. Junte a banha e misture com as pontas dos dedos. Gradualmente acrescente água, sem parar de amassar como se fosse pão. Tenda uma bola e deixe levedar durante 30 minutos. Pele as amêndoas e moa-as. Leve ao lume um tacho com o açúcar coberto de água. Deixe ferver até a calda atingir o ponto de pérola. Adicione o miolo de amêndoa e apure mexendo sempre. Deixe amornar. Acrescente as gemas batidas. Misture e leve de novo ao lume sem parar de mexer até o doce fazer estrada. Deixe arrefecer completamente. Estenda a massa e espaçadamente, disponha porções de doce de amêndoa. Dobre, tapando o recheio, corte-a com uma faca, e frite em azeite. Polvilhe com açúcar e canela.

Cavacas

12 Mar

História

Sobre a origem deste precioso doce não há registos concretos, no entanto, existe uma lenda que defende o seguinte: na Idade Média, uma senhora que residia em Vinhós preparava a boda de casamento da sua filha e confeccionou o bolo de noiva, entretanto, o casamento teve de ser adiado devido a uma peste que estava a assolar o concelho e, dadas as poucas possibilidades económicas, a senhora viu-se obrigada a conservar o bolo até á data do casamento, pelo que retirou a parte de cima daquele e molhou a parte restante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez as delícias de todos os convidados.

Receita

Ingredientes:

  • 12 ovos
  • 2,5 dl de azeite
  • dois cálices de aguardente
  • 250 gr. de farinha
  • manteiga q.b.
  • calda de açúcar q.b.

Preparação:

Bata 12 ovos, 2,5 dl de azeite, dois cálices de aguardente e 250 gr. de farinha. Unte pequenas tigelas de barro com muita manteiga e deite a massa dentro. Leve ao forno a cozer, depois de esfriarem passe-as por uma calda com açúcar em ponto de espadana alto.