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Castanhas de ovos

8 Mar

História:

Fazendo parte da doçaria tradicional de Arouca, a sua história está intimamente ligada à existência das freiras Bernardas do Convento de Arouca. A divulgação da receita destes doces, bem como de toda a rica doçaria tradicional de Arouca, é feita através de moças da ordem que, vivendo fora do convento, também trabalhavam para o mesmo. Estas serviçais do convento estavam em contacto directo com a vida quotidiana monástica de Arouca e também em contacto com as casas senhoriais de Arouca, para as quais o convento era um espaço social

 

Receita:

Ingredientes:

  • 8 gemas;
  • 2 pães;
  • 250g de açúcar;
  • 130g de água; leite qb;
  • 1 gema batida para pincelar.

Preparação:

Retire a côdea dos pães e humedeça-os, regando-os com um pouco de leite. Coloque no copo o açúcar e a água e programe 17 min na vel 1, temp varoma. Quando acabar o tempo, retire para outro recipiente e deixe arrefecer um pouco. Coloque no copo os pães bem espremidos e as gemas e triture 20 seg na vel 5, até estes estarem totalmente desfeitos. Junte a calda de açúcar e programe 30 min na vel 1, temp varoma. A massa deve ficar grossa e a querer descolar-se do fundo e das paredes do copo. Retire para um prato untado com um pouco de óleo e deixe arrefecer. Molde as castanhas, com o auxílio de duas colheres, tal como se fossem pasteis de bacalhau. Pincele-as com gema de ovo e queime-as com um maçarico. Notas: i) As castanhas devem ser feitas sempre de véspera, pois como são queimadas ficam a saber a fumo. ii) Quem não tiver maçarico tembém as pode queimar com o ferro do leite creme.

Pão de ló de Ovar

8 Mar

História:

Pouco se sabe sobre como surgiu esta iguaria em Ovar, apenas que tem origem conventual e que a sua confecção é anterior ao século XVIII. Até ao final do século XIX o fabrico, deste doce, era artesanal: a massa era batida à mão durante duas horas em  alguidares de barro vermelho com uma pá de madeira, e cozido, em formas também de barro forradas com papel de linho branco, em fornos de lenha aquecidos com pinhas ou ramos secos. Para testar a temperatura do forno, era utilizada uma vara comprida, levando na extremidade uma tira de papel de linho branco, devendo permanecer no interior do forno durante o tempo de orar um pai-nosso, ocasião em que se invocava uma boa cozedura.

Receita:

Ingredientes:

  • 18 gemas;
  • 5 claras;
  • 250 g de açúcar;
  • 125 g de farinha

Confecção:

Batem-se as gemas com as claras e o açúcar, até se obter um preparado muito espesso e cujo volume seja largamente superior ao inicial dos ovos e açúcar. Adiciona-se a farinha que foi peneirada pelo menos duas vezes, batendo suavemente. Tem-se uma forma redonda com cerca de 22 cm e forra-se com papel espesso. Tradicionalmente, o papel deve ter apenas uma circunferência que cubra o fundo da forma com uma rodela e os lados com uma tira (de papel vegetal). Deita-se a massa sobre o papel e leva-se o pão-de-ló a cozer em forno aquecido a 175ºC (forno médio baixo) durante 40 minutos. A superfície do bolo deve ficar húmida e, no dia seguinte, apresentar como que uma camada de ovos moles.

Ovos Moles

8 Mar

História:

Este doce, típico e tradicional da região de Aveiro, deve a sua fórmula e método de produção original às freiras da Ordem das Carmelitas. Surgiu no séc. XIX, quase tão delicioso como os do séc. XXI, isto porque antigamente, por uma questão de poupança, juntava-se arroz cozido aos ovos moles, uma prática que, actualmente, é recusada por todos os fabricantes. Este maravilhoso doce deve, também, muita da sua fama a linha de caminho de ferro entre Lisboa e Porto que quando teve início deu a oportunidade desta iguaria ser comercializada quando os comboios param na estação de Aveiro.

Receita:

Ingredientes:

  • 500 gr de açúcar
  • 30 gemas de ovo
  • 2,5 dl de água

Preparação:

Leva-se o açúcar ao lume com a água e deixa-se ferver durante cerca de 3 minutos até atingir o ponto de fio fraco. Tendo o cuidado de não deixar nenhum bocado de claras junto com as gemas, juntam-se estas ao açúcar em ponto e leva-se a lume brando, mexendo sempre, com a ajuda de uma colher de pau, até engrossar nunca mexa em circulos mas sim em movimentos tipo vaivem. Para servir, isolado, polvilhe com canela em pó. Servidos normalmente em moldes de hóstia de diferentes formatos, geralmente de elementos marinhos (amêijoas, peixes, conchas, búzios, etc.), recheados com o creme de ovos. Também podem ser comercializados em barricas de madeira pintadas exteriormente com barcos moliceiros e outros motivos da ria de Aveiro.