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Alentejo

30 Abr

     A sabedoria popular diz que “o que é doce nunca amargou”. Os doces conventuais alentejanos fazem justiça ao ditado. São pedacinhos divinais caídos do céu para delícia do seu paladar. Dê umas tréguas à dieta e desfrute destes prazeres.

     As antigas receitas foram em tempos segredos bem guardados nas mãos exímias das freiras. Com o tempo, os segredos foram sendo revelados e hoje estes doces são confeccionados e comercializados nas mais tradicionais confeitarias. Todos eles têm ingredientes em comum, como os ovos, a amêndoa em abundância e, como não podia deixar de ser, o açúcar. Consoante a especialidade e a localidade, alguns são recheados com mel, polvilhados com canela ou doce de chila. Ficou com água na boca?

     Descubra em cada terra uma especialidade diferente. Em Elvas, prove uma fatia da famosa sericaia, ou sericá, acompanhada das famosas ameixas. Portalegre é berço do famoso bolo podre conventual. Sinta o seu sabor característico conferido pelo azeite. Em Évora, derreta-se com as famosas encharcadas do Convento de Santa Clara, um doce de ovos delicioso. Não saia de Beja sem antes provar os tosquiados, as queijadas de requeijão, os queijinhos de hóstia recheados de ovos-moles e amêndoa, e os geladinhos do Convento da Conceição. O toucinho-do-céu de Portalegre faz justiça ao nome e ainda hoje é confeccionado à moda antiga. Mas há mais…

     As tibornas de Vila Viçosa, recheadas com chila e amêndoa, são a guloseima mais conhecida da terra, assim como as filhós enroladas. Dos fornos do Convento da Vidigueira sai o bolo de amêndoa, doce tradicional muito apetecido. Prove ainda o toucinho rançoso de Monforte, as areias de Sines, os mimosos do Crato, que vão a secar em cima de giestas depois de cozidos, como manda a tradição. Se está de visita a Avis, leve consigo as populares cavacas, a boleima e as azevias. Renda-se à doçaria conventual alentejana e redescubra os sabores de outros tempos!

Pasteis de Feijão

30 Abr

História

      Nos finais do século XIX, vivia na Vila de Torres Vedras uma ilustre senhora, D. Joaquina Rodrigues, que possuía uma receita de uns deliciosos pastéis, com que brindava os seus familiares e amigos.

     D. Maria aprendeu muito bem a confecção do doce e passou a fabricar os pastelinhos por encomenda, sendo ela a primeira pessoa a comercializá-los.

     No entanto, a receita também foi divulgada entre os familiares de D. Joaquina e, assim, uma parente de nome Maria Adelaide Rodrigues da Silva, também aprendeu a arte de fabricar os pastéis de feijão.

     A gentil Maria, casou entretanto com o Sr. Álvaro de Fontes Simões, que decidiu explorar comercialmente os doces. Assim, nasceram os pastéis de feijão da marca “Maria Adelaide Rodrigues da Silva”, que alcançaram um estrondoso sucesso que se estendeu para muito além da região de Torres Vedras.Posteriormente, as pastelarias da terra começaram a dar fabrico próprio aos famosos pastéis, segundo receitas da sua autoria, mas sempre com a amêndoa e o feijão por base.

     Por volta de 1940, um filho do Sr. Álvaro Simões, Virgílio Simões, montou uma fábrica especificamente destinada ao fabrico dos pastéis. Assim nasciam os muito conhecidos pastéis “Coroa”. Em meados do século, os pasteis de feijão tinham-se adoptado como o doce de Torres Vedras e o processo de certificação deste doce está a dar os primeiros passos.

 Receita:

Ingredientes:

Massa:

  • 300 g de farinha
  • 250 g margarina para folhados
  • Sal e água

Ou poderá usar massa folhada comprada pronta, nesse caso, só terá que estendê-la e forrar as pequenas formas conforme o indicado

Recheio:

  • 1/2 L de natas ou creme de leite
  • 9 gemas
  • 10 colheres (sopa) de açúcar
    preparação:

Preparação:

Misture a farinha, o sal e a água e trabalhe a massa até se unir.Divida a margarina em 3 porções. Estenda a massa, espalhe sobre ela 1/3 da margarina e enrole como um tapete. Repita esta operação mais duas vezes, até acabar a margarina. No final deixe descansar 20 minutos. Em seguida corte a massa em quadrados de 2cm de espessura, e coloque cada quadrado sobre uma forma lisa própria para madalenas ou muffins. Leve ao fogo em banho-maria as gemas batidas com o açúcar e as natas até o preparado engrossar. Deixe amornar e coloque uma colher (sobremesa) do preparado dentro de cada forma. Leve ao forno, até ficarem cozidos e tostados. Podem ser comidos mornos ou frios. Para facilitar pode utilizar o mesmo processo, forrando uma forma grande e fazendo uma torta; deve tentar não fazer a massa muito grossa, pois quanto mais fina, mais deliciosa.

Areias Brancas

30 Abr

História:

     Este doce é  um segredo de há várias gerações na família de Elísio pereira. Tudo começou precisamente com Eugenia perdigão, que obteve o segredo da receita, num convento de freiras em Lisboa, onde foi educada e transmitiu a receita para a sua filha Maria Luísa Pereira.

      Em 1935, Maria mudou-se de Lisboa para a Praia da Areia Branca  onde juntamente com o seu marido construíram e abriram um salão de chá em madeira, que ficou conhecido como Pavilhão Verde (no local onde hoje se encontra a Pousada da Juventude na Praia da Areia Branca). Aqui, Maria começou a fabricar os bolos que baptizou como “Areia Branca” e tentaram registar a marca, mas os Serviços Oficiais recusaram-no porque o nome coincidia com o da localidade da Praia da Areia Branca. Deste modo Elísio Pereira o mais novo dos três filhos do casal, acabou por ficar com o segredo que lhe foi revelado e ensinado pela sua mãe.

     Na década de 50, Elísio casou e a sua esposa começou a fabricar o doce em casa, vendendo-o para o café “Belmar”. Dada a procura deste doce , Elísio a 30 de Maio de 1969, registou a marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, mas só a 3 de Novembro de 1970, e após ter pago o imposto de selo, o pedido foi aceite.

     Mais tarde decidiram abrir uma loja ao público para expandir o negócio com a doçaria tradicional. Estes bolinhos deliciosos têm na sua composição: açúcar, ovos, amêndoa, farinha e aromas.

Receita:

Ingredientes:

  • 425 g de farinha
  • 150 g de açúcar
  • 200 g de banha
  • raspa da casca de 1 limão

Preparação:

Peneire a farinha com o açúcar em monte sobre a pedra da mesa. Trabalhe em areia só com a ponta dos dedos e depois  molde em bola, apertando a massa. Com a ajuda de farinha, tenda a massa em bolinhas do tamanho de uma noz. Coloque as bolinhas de massa num tabuleiro ligeiramente untado e polvilhado e leve a cozer em forno médio (180ºC) devendo as areias ficarem muito claras. Faça uma cova no meio e deite aí a banha e a raspa da casca de limão. Passe por açúcar.

*Pode passar as areias por açúcar e canela antes de as levar a cozer.

Encharcada

30 Abr

Receita:

Ingredientes:

  • Ovos 22
  • Açúcar 750 g
  • Canela q.b.
  • 2 dl de água

Preparação:

Leva-se o açúcar ao lume com a água e deixa-se ferver até fazer ponto de pérola muito fraco. Entretanto, batem-se as gemas. Estando a calda no ponto, deitam-se-lhe dentro as gemas batidas, lentamente, em movimentos circulares e através de um passador de rede. Deixa-se cozer a encharcada, espetando-a com uma espátula, dos lados para o meio, para evitar que ganhe crosta. Retira-se a encharcada do lume quando os ovos estiverem cozidos, mas ainda com um pouco de calda. Os ovos ficam com o aspecto de trouxas de ovos partidas em bocadinhos. Deita-se num prato fundo, polvilha-se com canela e leva-se a encharcada a forno bem quente só para tostar.

Pão-de-ló de Alfeizerão

30 Abr

História:

      Pertence a Alfeizerão uma das mais populares receitas de pão-de-ló, cuja fama ultrapassa largamente as fronteiras da região onde é confeccionado. Apreciado por todo o país, caracteriza-se por não ser seco e revelar no seu interior um creme. Diz a tradição que a receita original pertencia às freiras do Convento de Cós e teria sido transmitido a algumas senhoras da terra. No dia em que D. Carlos visitou Alfeizerão, foi chamada uma dessas senhoras para confeccionar um pão-de-ló para o rei. Mas a pressão sentida foi tal que cozedura ficou incompleta e, ao invés do esperado, a atrapalhação resultou num enorme sucesso que mereceu a preferência real e o aplauso dos presentes, nascendo assim o pão-de-ló de Alfeizerão, tal como o conhecemos.

Receita:

Ingredientes:

  • 100 grs de açúcar
  • 6 gemas
  • 2 ovos
  • 50 grs de farinha

Preparação:

     Batem-se os ovos inteiros com o açúcar e, quando a mistura estiver esbranquiçada, juntam-se, a pouco e pouco, as gemas desfeitas. Bate-se tudo durante mais 20 minutos com o batedor manual ou 10 minutos com a batedora eléctrica. Sem bater, junta-se a farinha bem peneirada. Depois deita-se a massa numa forma de folha ou de barro forrada com um papel grosso e tapa-se com uma folha do mesmo papel. Leva-se a cozer em forno quente (225ºC) durante 10 minutos.
Retira-se do forno e desforma-se.

Região Oeste

29 Abr

      O Oeste é uma região de belas paisagens, magnificamente preservada, que se estende do Oceano Atlântico ao conjunto montanhoso Montejunto-Aire e Candeiros, até às “portas da capital” e ao Pinhal de D. Diniz.

     É uma zona de luminosidade intensa e clima ameno, em que a costa marítima e o campo se fundem de forma singular, numa mancha verde salpicada de casario branco, com o azul do oceano em pano de fundo, povoada de gente hospitaleira, que se divide entre o apego à terra e o chamamento ancestral do mar.

     Esta região é constituída pelos municípios de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, é espaço único, de ruralidade moderna, unido por uma herança cultural comum, cimentada em séculos de cultura da vinha e de tradições marítimas e piscatórias.

     A proximidade a Lisboa e a situação estratégica na ligação a outros centros urbanos de referência tem sido a base do desenvolvimento da região Oeste.

Papas de Carolo

25 Abr

Receita:

Ingredientes:

  • 3 chávenas de carolo (milho amarelo ou branco partido) ;
  • 1 litro de leite ;
  • 1 chávena de açúcar (aprox.) ;
  • sal ;
  • canela

Preparação:

Para lavar o carolo, este é colocado num alguidar com bastante água fria e agita-se de modo a trazer ao de cima o farelo. Retira-se o farelo e muda-se a água tantas vezes quantas as necessárias para que o carolo fique bem lavado. Quando o carolo estiver limpo de farelo, muda-se a pouco e pouco para outro alguidar com água, para o libertar das areias que se depositam no fundo, operação que se repete as vezes necessárias. Tem-se ao lume uma panela com água temperada com sal. A água deve ser pelo menos três vezes o volume do carolo (para cada chávena de carolo, quatro chávenas de água). Quando a água levantar fervura, introduz-se o carolo e deixa-se cozer, tendo o cuidado de o mexer de vez em quando no princípio e constantemente  assim que o preparado se torne mais espesso. Quando o milho estiver a meia cozedura, começa a juntar-se o leite a pouco e pouco, mexendo sempre. Por fim adiciona-se o açúcar, deixa-se cozer um pouco mais e serve-se em travessas ou pratos individuais enfeitados com canela.

Papos de Anjo

25 Abr

Receita:

Ingredientes:

  •  9 gemas de ovos
  • 1 ovo

Calda para demolhar os Papos de Anjo:

  • 600grs de açúcar
  • 500grs de água (5dl)
  • 1 pau de canela
  • casca de 1 limão (ou um pouco de rum)

    Nota
    : Deixar ferver +-4 minutos
    ( Esta calda deve ser feita com antecedência)

Preparação:

Bater as gemas e o ovo até triplicarem de volume. Encher em formas tipo queque untadas com margarina e polvilhadas com farinha, encher até meio da forma. Coser á temperatura de +- 230º cerca de 15-18 minutos. Desenformar os papos de anjo depois de cozidos picar-lhe a base com um garfo e mergulha-los na calda ainda quente, guarde a restante calda para regar os papos na altura de servir. Servir em taças e frios.

Arrufadas

25 Abr

História:

Estas pequenas bolas de massa lêveda, muito fofas, são uma das especialidades da doçaria de Coimbra e a sua origem está associada ao convento de Santa Ana. Antes era possível encontrá-las com duas formas: redondas, como são hoje mais comuns, ou em feitio de ferradura. Na Páscoa, e em ambos os casos, eram enfeitadas com açúcar.

Receita:

Ingredientes:

  • 100 gr de manteiga derretida
  • água morna ou leite q.b.
  • 1 kg de farinha de trigo
  • 250 gr de açúcar
  • 5 ovos

Preparação:

Amasse a farinha, o açúcar e os ovos num pouco de água morna ou leite, para que a massa fique mais fina. Junte a manteiga derretida e continue a amassar. Tape e deixe levedar a massa de um dia para o outro.  Estenda as arrufadas em forma de pequenas bolas, com cerca de 5 cm de diâmetro e deixe levedar de novo até dobrar de volume. Pincele com gema de ovo e leve ao forno em tabuleiros untados com manteiga e polvilhados com farinha.

Pasteis de Tentúgal

25 Abr

História:

A história da antiga vila de Tentúgal, hoje pertencente ao concelho de Montemor-o-Velho, confunde-se com a história da doçaria conventual, cuja fama persistiu no tempo devido, em parte, aos Pastéis de Tentúgal.  Reza a história que os afamados doces terão surgido por causa da bondade natalícia de uma freira carmelita que, em finais do século XVI, presenteando os meninos da terra com iguarias, resolveu experimentar rechear a massa muito fina com doce de ovos. Estes requintados presentes eram, igualmente, oferecidos a bem feitores do Convento das Carmelitas, assim como estes indivíduos da alta sociedade portuguesa, o doce recebia os maiores elogios. Inicialmente designados “Pastéis do Convento”, começaram a ser produzidos no seu exterior mas com as reformas de Joaquim António de Aguiar, em 1834, puseram fim às congregações religiosas e, decisivamente, após a laicização da sociedade, com a implantação da República em 1910. Fora das instalações conventuais os Pastéis de Tentúgal popularizaram-se, passando a ser consumidos pelos diferentes estratos sociais, chegando a ser recheados com frutas, doces ou preparados de carne. Nos dias de hoje o mais vulgar é o recheio com doce de ovos, adoptando uma forma alongada, que lhe confere também a designação de Palito, ao invés da outrora forma em meia-lua. O recheio dos Pastéis de Tentúgal que apresentam a forma de meia-lua, para além do doce de ovos, inclui amêndoa. Este doce também é conhecido por Pastel Pobre.

 Receita:

Ingredientes:

Para a massa:

  • 500 g de farinha
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 2 dl de água
  • sal
  • 200 g de manteiga (aprox.)
  • açúcar em pó

Para o recheio:

  • 250 g de açúcar
  • 12 gemas de ovos

Preparação:

Peneira-se a farinha várias vezes para dentro de um alguidar e faz-se uma cova no meio onde se deita a manteiga (ou margarina) derretida. Mistura-se. Aquece-se a água onde previamente se dissolveu o sal. Adiciona-se a água, pouco a pouco, à farinha, trabalham-se bem todos os elementos, amassando até a massa se despregar das mãos. Molda-se a massa em bola e coloca-se num prato previamente polvilhado com farinha. Polvilha-se a massa também com um pouco de farinha e cobre-se com uma tigela aquecida. Deixa-se repousar durante 30 minutos pelo menos. Entretanto, preparam-se os ovos moles bastante espessos. Estende-se um pano sobre a mesa. Pincela-se a superfície da massa com um pouco de manteiga derretida (ou azeite) e começa a retirar-se bocadinhos de massa, que se estendem, primeiro, com o rolo, e, depois, se esticam com os dedos, tendo o cuidado de não romper a massa. Esta deve ficar tão fina como uma folha de papel de seda. Corta-se esta massa em rectângulos com 14 cm por 10 cm. As bordas de massa espessas não devem ser aproveitadas para as folhas dos pastéis. Derrete-se a manteiga (ou margarina) em banho-maria. Depois sobrepõem-se quatro folhas de massa, pincelando-as com manteiga derretida à medida que se vão sobrepondo. Colocam-se duas colheres de sopa de ovos-moles sobre o rectângulo de massa (com quatro folhas) e enrola-se o pastel. Dobram-se as pontas para cima e levam-se os pastéis a cozer rapidamente em forno forte. Polvilham-se com açúcar em pó (o chamado “açúcar inglês”).

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